sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A abortadora



Estava lá Jesus dando um curso motivacional gratuito para uma população de baixa renda quando os mestres da Lei e os bispos da CNBB trouxeram uma mulher surpreendida no meio de um aborto. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi flagrada no meio de um aborto. O artigo 1398 do código de direito canônico manda excomungar automaticamente tais mulheres. Que dizes tu?”

Perguntavam isso para experimentar Jesus e para poder dar um amparo oficial às franquias com a logomarca dele que haviam aberto ao redor do mundo a fim de excomungar mais facilmente os pecadores. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão.

Porém, como na comitiva eclesial só tinha mala-sem-alça, eles insistiram na pergunta. Jesus então ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a excomungá-la”. E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.

E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. No entanto, o último bispo que restou, um baixinho, entregou uma cartinha à mulher antes de sair. Por fim, Jesus ficou sozinho, com a mulher no meio do povo.

Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”

Ela respondeu: “Só a Igreja Católica, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu não te condeno. Podes ir, não peques mais e arranje uma religião mais adequada!" Aquelas palavras calaram tão fundo em seu coração que a mulher se sentiu tocada a se converter ao cristianismo.

Nesse momento, o bispo nanico que havia entregado a carta à mulher voltou com outro papel na mão e estendeu-o à abortadora: “Podes, por favor, entregar esta aqui ao teu médico?”, disse-lhe o mini-reverendo.

Jesus então abaixou-se novamente e, desta vez, em vez de escrever, pegou uma pedra, levantou-se e mirou na testa do bispo, o qual, àquela hora, já havia levantado a batina para correr mais rápido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário